Estimulação Cognitiva nas Demências e Doenças Neurodegenerativas: Modelos de Intervenção e Prática Clínica 

A estimulação cognitiva em contexto de demência exige enquadramento neurofuncional, estrutura metodológica e adaptação à progressão clínica da doença. 

5ª Edição

Enquadramento científico

O aumento da esperança média de vida tem conduzido a uma maior prevalência de doenças neurodegenerativas e quadros demenciais, colocando desafios clínicos, institucionais e sociais cada vez mais complexos. Para além do impacto cognitivo direto, estas condições implicam alterações progressivas ao nível funcional, emocional e relacional, exigindo respostas de intervenção estruturadas e fundamentadas.

A estimulação cognitiva constitui atualmente uma das abordagens não farmacológicas com maior evidência na promoção da manutenção funcional, na redução do declínio cognitivo e na melhoria da qualidade de vida de pessoas com demência e outras doenças neurodegenerativas. No entanto, a sua eficácia depende da adequação dos modelos de intervenção às características clínicas da pessoa, à fase evolutiva da doença e ao contexto institucional ou domiciliário em que a intervenção ocorre.

A literatura científica tem vindo a destacar a importância de programas de estimulação cognitiva estruturados, baseados em princípios neurofuncionais e ajustados à progressão da doença, em detrimento de abordagens genéricas ou meramente ocupacionais. Intervenções não sistematizadas ou descontextualizadas tendem a apresentar menor impacto e podem contribuir para frustração tanto da pessoa acompanhada como dos profissionais envolvidos.

Neste sentido, torna-se fundamental capacitar profissionais e equipas técnicas para a implementação de modelos de estimulação cognitiva com enquadramento teórico consistente, objetivos definidos e metodologias adaptadas às diferentes fases das doenças neurodegenerativas. Tal implica compreender os mecanismos cognitivos e comportamentais envolvidos, selecionar estratégias adequadas e estruturar sessões de intervenção que integrem funcionalidade, significado e continuidade.

A formação em Estimulação Cognitiva nas Demências e Doenças Neurodegenerativas: Modelos de Intervenção e Prática Clínica surge neste contexto como uma proposta de aprofundamento técnico e conceptual, orientada para a prática clínica e institucional. Pretende-se promover a integração entre conhecimento neurocientífico e aplicabilidade real, apoiando profissionais na construção de intervenções mais consistentes, ajustadas e sustentadas.

Ao reforçar a compreensão dos fundamentos da estimulação cognitiva e a sua operacionalização em contextos clínicos e institucionais, esta formação contribui para a qualificação das práticas de acompanhamento e para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados a pessoas com compromisso cognitivo ao longo da evolução da doença.


Destinatários

A formação destina-se a profissionais que acompanham direta ou indiretamente pessoas com compromisso cognitivo em contexto clínico, institucional ou domiciliário, e que pretendam aprofundar competências na implementação de modelos estruturados de estimulação cognitiva.

Dirige-se, em particular, a profissionais das áreas da saúde e intervenção psicossocial, nomeadamente psicólogos, terapeutas ocupacionais, profissionais de enfermagem, técnicos de estruturas residenciais para pessoas idosas e outros profissionais com intervenção regular junto de pessoas com demência ou doenças neurodegenerativas.

É igualmente pertinente para equipas técnicas e cuidadores com experiência no acompanhamento de pessoas com declínio cognitivo que procurem enquadramento teórico e metodológico mais consistente para a organização e aplicação de programas de estimulação cognitiva em contexto real de cuidados.


Objetivos de aprendizagem

No final da formação, os participantes deverão ser capazes de:

  • Compreender os fundamentos neurocognitivos e funcionais subjacentes às demências e às principais doenças neurodegenerativas, reconhecendo o seu impacto na intervenção cognitiva.

  • Compreender a função dos principais instrumentos de rastreio cognitivo utilizados em contextos clínicos e institucionais, reconhecendo a sua utilidade na identificação de alterações cognitivas, interpretando indicadores gerais de desempenho e identificando critérios de encaminhamento para avaliação neuropsicológica especializada.

  • Diferenciar abordagens genéricas de estimulação cognitiva de modelos estruturados de intervenção ajustados à progressão clínica da doença.

  • Identificar objetivos terapêuticos e funcionais adequados às diferentes fases da demência e às características individuais da pessoa acompanhada.

  • Estruturar sessões e programas de estimulação cognitiva com base em princípios neurofuncionais, considerando contexto institucional, clínico ou domiciliário.

  • Selecionar e adaptar estratégias e materiais de intervenção de acordo com o perfil cognitivo, emocional e relacional da pessoa e com o estádio evolutivo da doença.

  • Organizar planos de estimulação cognitiva com continuidade e coerência, ajustados à realidade de equipas técnicas e contextos institucionais.

  • Construir e aplicar sessões práticas de estimulação cognitiva, integrando objetivos terapêuticos, funcionalidade e significado para a pessoa acompanhada.

  • Reconhecer limites, riscos e indicadores de ajuste na aplicação de programas de estimulação cognitiva em contextos reais de cuidados.

  • Promover práticas de intervenção mais consistentes, fundamentadas e sustentadas, com impacto na qualidade de vida das pessoas com compromisso cognitivo e das equipas que as acompanham.


Conteúdos


Módulo 1 — Fundamentos Neurocognitivos da Estimulação em Contexto de Demência

Conceito e enquadramento da estimulação cognitiva em contexto clínico

Bases neurofuncionais da cognição (memória, atenção, funções executivas, linguagem, praxias)

Plasticidade cerebral no envelhecimento e na doença neurodegenerativa

Diferença entre intervenção estruturada e abordagem meramente ocupacional.

Módulo 2 — Rastreio Cognitivo e Planeamento de Intervenção

Principais instrumentos de rastreio cognitivo utilizados em contextos não especializados

Finalidade, limites e critérios de encaminhamento para avaliação neuropsicológica

Identificação de domínios cognitivos prioritários para intervenção

Interpretação geral de indicadores e construção de objetivos terapêuticos.

Módulo 3 — Modelos e Técnicas de Estimulação Cognitiva

Abordagens estruturadas de estimulação cognitiva

Técnicas orientadas para memória, atenção, linguagem e funções executivas

Intervenção individual vs intervenção grupal

Adaptação das estratégias às diferentes fases da demência.

Módulo 4 — Construção de Programas Estruturados de Estimulação Cognitiva

Planeamento de programas semanais e mensais

Definição de objetivos clínicos e funcionais

Integração da estimulação no quotidiano institucional

Uso criterioso de tecnologia e recursos digitais.

Módulo 5 — Aplicação Prática e Operacionalização em Contexto Real

Construção de sessões passo a passo

Exercícios para intervenção individual

Exercícios para intervenção em grupo

Estratégias para contextos com recursos limitados

Organização de materiais e estrutura de sessão.

Módulo 6 — Avaliação, Monitorização e Ajustamento da Intervenção

Indicadores de eficácia na estimulação cognitiva

Monitorização de progressos e ajustes de intervenção

Limites da estimulação cognitiva

Ética e enquadramento cultural

Adaptação da intervenção a diferentes populações (demência, TCE, outras condições neurodegenerativas)

Estudos de caso clínicos.



Metodologia

A formação integra exposição teórica, enquadramento científico atualizado, análise de situações práticas e reflexão clínica orientada, privilegiando a articulação entre conhecimento académico e intervenção profissional qualificada.


Formato e Carga Horária

Duração: 21 horas
Formato: online síncrono
Estrutura: 7 sessões de 3 horas
Plataforma: Zoom


Datas e horário - edição com início próximo

Março: dias 19, 24, 26, 31. Abril: dias 1, 2, 9. 

Horário: 20-23 horas.

Edição com número limitado de participantes. 


Investimento

145€ (vagas limitadas para garantir qualidade formativa e acompanhamento).

Pagamento faseado mediante solicitação.


Certificação

Certificado pela DGERT
Certificado emitido pelo CICED – Centro de Estudos Avançados em Neurociência Aplicada e Intervenção Clínica.


Coordenação científica

Fernanda Barata
Neurocientista clínica e especialista em saúde emocional e cognição aplicada.
Doutoranda em Ciências da Cognição, Linguagem e Neurociências.
Universidade Católica Portuguesa.


Candidatura e informações
A participação é realizada mediante inscrição através do formulário seguinte. 

Contactos

Humana Mente

Avenida Diogo Cão, 20 - Infantado, Loures

915 046 334 

geral@humana-mente.net