Porque falham as resoluções de início de ano?

03-01-2020

Sabe aquelas pessoas que fazem "to do lists" de início de ano e depois falham em quase tudo? É sempre a mesma música mas... não precisa ser assim!

Deixo-lhe hoje algumas ideias sobre as razões pelas quais as nossas resoluções são pouco sucedidas ao longo dos 365 dias que se seguem à nossa lista de fim de ano. Apesar das boas intenções que nos correm nas veias, ao final de 3 meses, a nossa "to do list" já resvalou. Porquê? Como fazer diferente?

Depois de ler este texto, talvez queira reformular a sua lista para 2020!


Porque falham as resoluções? Algumas ideias:

1. A motivação e a força de vontade não são suficientes.

2. O objetivo está fora do nosso controle.

3. O planeamento está mal definido.

4. A sua mentalidade é demasiado crítica.


Vamos ver, sumariamente, cada um dos obstáculos e, é claro, encontrar soluções. 

Foto: stolper-herz by Tumblr

A motivação e a força de vontade não são suficientes


As pessoas não têm igual motivação e força de vontade para tudo na vida. Não depende da quantidade de vezes que disser: "eu quero" ou "eu vou" ou, ainda, "eu desejo". Por vezes, há razões biológicas e psicológicas que nos impedem de sentirmos a resistência e força para atingirmos aquilo a que nos propusemos. Basta o cansaço e o stress de um mês de trabalho para arruinar a nossa lista.

Quer a motivação como a força de vontade, são energias limitadas que podem desaparecer devido a factores interiores e exteriores a nós: os acontecimentos de vida negativos produzem resultados negativos na nossa mente e no nosso corpo. A nossa resposta global a tudo o que nos cansa pode gerar uma quebra das intenções.

Por isso, a resposta biológica e psicológica mais imediata é a diminuição da motivação e da força de vontade: como os nossos recursos são limitados, o nosso cérebro "ordena" que paremos de gastar energia e que retomemos o estado inicial. Adeus resolução!

Uma boa solução: organizar melhor a sua vida (interior e exterior) para poder manter a sua força de vontade e a sua motivação em alta.

Uma péssima solução: gastar todos os seus recursos até à exaustão.


O objectivo está fora do nosso controlo


Definir metas que estão sob nosso controle significa que podemos realmente realizar aquilo a que nos propomos fazer. Significa também que os factores que nos podem ajudar a prosseguir os nossos propósitos só dependem de nós e que não há factores externos impeditivos. 

Exemplo: quer perder 20 quilos? Parece-lhe que isso só depende de si? Talvez não seja exactamente como pensa. Sabe se tem problemas de tiróide? Sabe que dieta responde melhor o seu metabolismo? Já se perguntou qual é o peso adequado à sua idade e circunstância pessoal?... Consultou um médico ou nutricionista competente? Faz exercício físico?

Uma boa solução: olhar com realismo e de uma forma prática para as soluções que pretende atingir. 

Uma péssima solução: ignorar os factores que podem condicionar o seu comportamento na prossecução de um objectivo.

O planeamento está mal definido 


Definir uma resolução, propósito ou objectivo e, consequentemente, não definir um plano para o atingir, é como fazer uma viagem sem saber para onde vai e como vai chegar (seja onde for). 

Primeiro: precisamos ganhar foco e clarividência, ou seja, precisamos saber quem somos e porque queremos aquilo que nos resolvemos definir como a nossa resolução e propósito. Segundo: façamos uma boa pesquisa sobre o que queremos e como podemos reunir os recursos. Já pensou de que meios precisa para atingir os seus fins com sucesso?

Uma boa solução: escreva tudo o que pensa sobre o planeamento, como num "brainstorming" individual. É importante lembrar que todos os processos de mudança implicam também mudanças de hábitos. Trace o seu destino com realismo!

Uma péssima solução: não definir o plano e deixe-se ir na corrente.


A sua mentalidade é demasiado crítica

Para a maioria das pessoas, o foco da atenção está no acumular dos números: quantos cigarros deixamos por dia, quantos quilos perdemos num mês, quantos clientes conquistámos num trimestre... e, como tendemos a ser auto-críticos, a nossa atenção concentra-se em responder a esta questão: o que fizemos de errado para não conseguirmos aquilo a que nos propusemos? E então... começamos a acumular auto-críticas.

Quando nos concentramos numa definição rígida de sucesso, não nos permitimos espaço mental para sermos criativos ou para mantermos a motivação quando as coisas se complicam ou quando as dificuldades surgem. Ou seja: quando abordamos a situação procurando por onde errámos, estamos a multiplicar o nosso esforço. 

É claro que devemos ter uma visão critica sobre o problema. Crítica, porém, serena. Porquê? Porque criticarmo-nos desmedidamente arruína a nossa força de vontade e motivação. Pelo contrário, observarmo-nos construtiva e serenamente, ajuda-nos a que possamos crescer acima do nosso nível de conforto.

Uma boa solução: perceber que o cérebro olha de forma critica para os resultados atingidos. É normal. Auto critique-se. Resolva. Defina o plano novamente. Procure alternativas. Transforme falhas em aprendizagens.

Uma péssima solução: quando chegar o momento de se criticar, não fique aí. Sai da critica, não perca mais energia do que aquela que é necessária. A frustração e o stress podem arrasar os seus objectivos.

Se tem resoluções de Ano Novo e elas são importantes, defina-se bem. O tempo voa e a vida passa. Construa o seu destino. Usufrua do tempo porque viver é um destino só por si. 


(Foto): browndresswithwhitedots by Tumblr

PURA PRESENÇA